É um cenário desolador. Em Paulo Afonso, estamos assistindo
a um fenômeno que fere a ética e a própria razão de existir do jornalismo:
veículos de comunicação que, alimentados pelas generosas verbas da
municipalidade, decidiram morder a mão de quem exerce a profissão com
independência.
Recentemente, li uma matéria em um desses portais que me
causou profunda indignação. Não pelo conteúdo informativo em si, mas pelo tom.
Havia um indisfarçável "grau de satisfação" ao noticiar que um
jornalista veterano da nossa terra foi condenado a indenizar o prefeito. O
crime do colega? Publicar uma matéria que desagradou o gestor.
É estarrecedor ver "colegas" de profissão
celebrando a mordaça. Quando um órgão de imprensa vibra com a punição
financeira de um jornalista veterano em favor do poder público, ele abdica de
sua função social para se tornar um mero puxadinho do gabinete. Estão trocando
a solidariedade de classe e a liberdade de expressão pelo conforto do
"cocho".
Onde fomos parar? O jornalismo deveria ser o cão de guarda
da sociedade, não o animal de estimação do prefeito de plantão. Celebrar a
condenação de um par, por algo que incomodou quem está no poder, é assinar o
próprio atestado de submissão.
Hoje, esses veículos sorriem e batem palmas para a canetada
judicial que pune a crítica. Amanhã, quando a fonte secar ou a conveniência
política mudar, eles sentirão na pele que o silêncio que ajudaram a construir
também os alcançará. A história de Paulo Afonso merece uma imprensa que tenha
coragem, não uma que se venda por migalhas e ainda comemore a derrota de quem
ousa não se curvar.







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