![]() |
| Foto: internet |
O presidente do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), José
Edivaldo Rocha Rotondano, cassou nesta terça-feira (24) a liminar que suspendia
os efeitos da sessão legislativa realizada em 15 de dezembro de 2025. A decisão
anterior, proferida pelo juiz Daniel Pereira Pondé em primeira instância, havia
declarado nula a reunião e todos os atos dela decorrentes, incluindo a votação
da Lei Orçamentária Anual (LOA).
Com a nova decisão, ficam restabelecidos os efeitos da
sessão e, consequentemente, a validade da aprovação do orçamento municipal. O
entendimento do TJ-BA é de que não estavam presentes os requisitos legais
suficientes para sustentar a suspensão da sessão legislativa, o que motivou a
revogação da medida liminar.
A controvérsia gira em torno da legalidade dos procedimentos
adotados durante a sessão de dezembro, que havia sido questionada judicialmente
sob alegação de irregularidades no processo legislativo. A decisão de primeira
instância acolheu esses argumentos e interrompeu os efeitos da votação, gerando
impasse administrativo no município.
A forma como a Lei Orçamentária Anual (LOA) foi aprovada
levanta sérias dúvidas sobre a lisura do processo legislativo e o respeito aos
princípios democráticos que deveriam nortear a gestão pública. Ainda que a
decisão do Tribunal de Justiça da Bahia tenha restabelecido a validade formal
da sessão, isso não elimina o debate político e ético sobre o que, de fato,
ocorreu naquela sessão.
Há uma percepção crescente de que a aprovação do orçamento
não se deu de maneira transparente, mas sim sob forte articulação entre o
Executivo municipal e a bancada governista, em um cenário que não somente a
oposição, mas também a sociedade classifica como “esculhambação”. A condução da
sessão, marcada por questionamentos sobre procedimentos e participação efetiva
dos vereadores, reforça a ideia de que o resultado já estava previamente
alinhado, reduzindo o papel do Legislativo a mera formalidade.
Esse tipo de prática, quando ocorre, fragiliza a confiança
da população nas instituições. A LOA não é uma peça qualquer: trata-se do
instrumento que define como os recursos públicos serão aplicados ao longo do
ano, impactando diretamente áreas essenciais como saúde, educação e
infraestrutura. Sua aprovação exige debate amplo, transparência e, sobretudo,
independência entre os poderes; tudo que não houve na sessão que, agora, o
TJ-BA tornou legal.







.gif)

0 Comentários