Advogados presos durante a Operação Sintonia de Gravata desempenhavam diferentes cargos e funções dentro de facções criminosas com atuação na Bahia, segundo as investigações das forças de segurança. A ação faz parte de uma ofensiva contra organizações criminosas suspeitas de utilizar profissionais da advocacia para manter a comunicação entre integrantes presos e membros que atuavam em liberdade.
De acordo com a apuração, os investigados se valiam indevidamente das prerrogativas da profissão para ingressar em unidades prisionais e transmitir ordens, informações estratégicas e orientações entre lideranças custodiadas em presídios de segurança máxima e integrantes das facções fora do sistema prisional.
As investigações apontam que os advogados exerciam papéis distintos na estrutura das organizações criminosas, atuando como intermediários de mensagens, articuladores de estratégias e facilitadores da comunicação entre chefes das facções e seus subordinados. Essa atuação, segundo os investigadores, contribuía para a manutenção das atividades criminosas mesmo com as lideranças encarceradas.
A Operação Sintonia de Gravata tem como objetivo desarticular a rede de apoio jurídico supostamente utilizada pelas facções para preservar sua estrutura de comando e garantir a continuidade das ações criminosas. O material apreendido durante o cumprimento dos mandados será analisado para aprofundar as investigações e identificar outros possíveis envolvidos.
As autoridades destacam que a apuração não envolve a advocacia como instituição, mas sim a conduta individual dos investigados, que são suspeitos de utilizar a profissão de forma ilícita para beneficiar organizações criminosas. Os investigados responderão pelos crimes apurados no curso da investigação, assegurados o direito à ampla defesa e ao contraditório.

