Patrões e governo vetam parcelas extras de seguro-desemprego por pandemia

 Representantes dos dois grupos em conselho votaram contra proposta de trabalhadores para pagamentos a mais a quem foi demitido neste ano



Foi rejeitada nesta quarta-feira (4) a proposta para pagar duas parcelas extras de seguro-desemprego a quem perdeu o emprego neste ano. A medida visava dar um amparo maior aos demitidos em razão da pandemia do novo coronavírus.

A proposta foi levada ao Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat), responsável pela administração da verba do fundo. Ela foi derrotada por 12 votos a 6. Ficaram contra ela os seis representantes dos empregadores e os seis do governo. Somente os seis representantes dos trabalhadores, que fizeram a sugestão de estender o benefício, foram favoráveis.

Pelo projeto original dos trabalhadores, as parcelas extras seriam concedidas a todas as pessoas demitidas entre março e o dia 31 de dezembro. A expectativa, com isso, era atender 6 milhões de pessoas.

Mas o governo foi contra porque: 1) o impacto seria de R$ 16,1 bilhões nas contas públicas; 2) os pagamentos se estenderiam até 2021 e não poderiam entrar no decreto de calamidade pública devido à pandemia.

Então, a área técnica apresentou uma contraproposta. As duas parcelas seriam concedidas a quem tivesse sido demitido até 31 de julho. Mas o pagamento deveria ser limitado a dezembro de 2020 – excluindo trabalhadores que, naquele mês, ainda estivessem recebendo o benefício regular. Pelas contas da equipe econômica, liderada por Paulo Guedes, a proposta custará R$ 7,3 bilhões. E, nesse caso, a expectativa era atender cerca de 2,7 milhões de pessoas.

Mas nem essa proposta foi votada. Os grupos que se posicionaram contra a extensão do benefício não colocaram uma nova oferta na mesa. E, assim, a ideia de estender o amparo aos demitidos foi sepultada.


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