Bolsonaro não demonstra empatia pela Bahia porque tem pouco voto no estado

 

Bolsonaro sabe que o interior da Bahia deve entregar a maioria de seus votos ao seu principal adversário. Nesse cálculo mórbido, a priorização a essa região é tempo perdido. Melhor fazer festinha com os banhistas em Santa Catarina. Além disso, o atual presidente ama demais a si mesmo para colocar qualquer outra prioridade à frente



Se a tragédia que devasta o Sul da Bahia tivesse ocorrido no interior de Goiás ou do Rio Grande do Sul, locais onde o presidente conta com índices de aprovação melhores que a média nacional, ele teria tirado férias sem antes demonstrar empatia a desabrigados e familiares dos mortos? Provavelmente, não.

A questão não é a preferência pela população deste ou daquele estado, mas a percepção de que o interior da Bahia deve entregar a maioria de seus votos ao seu principal adversário, o ex-presidente Lula. Nesse cálculo mórbido, a priorização a essa região é tempo perdido. Melhor fazer festinha com os banhistas em Santa Catarina.

Claro que o fato de a Bahia ser governada pelo petista Rui Costa também contribui para que Jair submeta decisões que precisam ser tomadas pelo governo federal para diminuir o sofrimento das vítimas à estratégia eleitoral. Não tenho dúvidas de que Jair Bolsonaro teria tirado férias mesmo assim – afinal, ele ama demais a si mesmo para colocar qualquer outra prioridade à frente.

Mas, se fossem outros locais atingidos, ele teria se deslocado novamente para a região, montado um gabinete de crise, oferecido quantidades decentes de recursos – e não os caraminguás que liberou até agora.

Até porque, neste caso, estaria reforçando a sua base eleitoral ao tentar convencer as pessoas que ele realmente se importa com a vida humana – por mais que 620 mil cadáveres durante a pandemia, dos quais mais de 400 mil evitáveis se ele não tivesse sabotado o combate à covid-19, sejam a prova de que isso não é verdade.

Parte de seus apoiadores e seguidores gostam de ver o presidente cavalgando seu jet ski na praia em meio a catástrofes e tragédias. Celebram o mito por não ficar de “mimimi” nem de “frescura” e tocar a vida em frente. Afinal, como todo mundo morre um dia, luto e pesar é para os frouxos.

Nesse contexto, se 620 mil óbitos significam “apenas” 0,29% dos brasileiros, o que são duas ou três dezenas de mortes no Sul da Bahia? É um cálculo mórbido, mas que funciona para o seu eleitorado. E o que Jair precisa é de seu eleitorado fiel, pelo menos no primeiro turno das eleições. Depois é pregar o velho antipetismo.

Resta ao povo do Sul da Bahia contar com a potencial solidariedade da maioria do país, que ainda não está indiferente diante da vida humana. Ou tentar cavar uma pesquisa de opinião que mostre que Bolsonaro conta com 70% das intenções de voto por lá, o que pode animar o presidente a querer mostrar serviço. (Leonardo Sakamoto, em seu blog)

Bolsonaro não demonstra empatia pela Bahia porque tem pouco voto no estado Bolsonaro não demonstra empatia pela Bahia porque tem pouco voto no estado Reviewed by Ednaldo Júnior on 07:04 Rating: 5

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