Decisão de Renan Filho define ambiente político em 2022

 

Alagoas entra no novo ano com a expectativa de um cenário eleitoral que já conta com alguns nomes para suceder o atual governador


Este ano será o último do governador Renan Filho (MDB), independentemente de ele sair candidato ao Senado ou não. O ambiente político dos finais de mandato muda de acordo com o destino do governante, se vai terminar os quatro anos ou se vai renunciar para disputar eleição. A análise é da cientista política Luciana Santana.

Em outubro do ano passado, em entrevista ao portal da Revista Veja, o governador disse ter boas chances na disputa, mas que era preciso, ainda, organizar a disputa ao governo, à sua sucessão.

“É uma decisão complexa. Tenho boas chances ao Senado, mas é preciso organizar a eleição ao governo e construir um projeto viável que mantenha as conquistas”, afirmou Renan Filho.

Luciana Santana destaca que o xadrez eleitoral em Alagoas tende a ser modificado se o governador renunciar.

“Numa primeira situação, com ele renunciando, ali em abril, a gente tem uma mudança no tabuleiro político em Alagoas. Cabe a ele ou tentar junto à Assembleia ter o nome de confiança que leve adiante as políticas públicas e projetos já iniciados no seu governo ou contar com algumas mudanças pensando, inclusive, no futuro político de quem vier assumir, já que quem assumir tem a possibilidade de pedir concorrer à reeleição ao Governo. Em ele se mantendo como governador, então você vai ter aí ao final da gestão a continuidade dos projetos e, realmente, uma situação mais morna porque até porque se está num ano eleitoral e outros interesses tão colocados, não apenas para o próprio governador, mas para vários secretários que devem tentar disputar outros cargos. De qualquer forma, eu sempre digo que até o mês de abril a gente vai ter avanços, com muitas obras sendo inauguradas, muitos projetos sendo encaminhados. É preciso aguardar a decisão desse cenário ou político”, analisa Luciana Santana.

Para ela, Renan Filho deve mesmo renunciar para concorrer ao Senado em 2022. Até o momento, ninguém se apresenta, de fato, como candidato a governador. Os nomes ventilados, quando muito, não negam a possibilidade.

Entre eles estão o senador Rodrigo Cunha (PSDB), o deputado estadual Paulo Dantas (MDB), o prefeito de Maceió JHC (PSB), o prefeito de Pilar Renato Filho (PSC).

Em meados do ano passado, numa entrevista à Tribuna Independente, o senador Rodrigo Cunha ressaltou que tem atributos para entrar na disputa pelo governo.

“Não descarto essa possibilidade, acredito que tenho atributos para concorrer sim ao governo, mas nesse momento o foco é combater a pandemia da Covid-19 que ainda está aí”, disse o senador à época.

“A gente teria, pelo menos, dois grupos disputando o governo. Um em torno do JHC e Rodrigo Cunha, que é o mesmo grupo e eles vão decidir quem sai como candidato. O Rodrigo tem pontuado bem nas pesquisas, mas não tão bem quanto o JHC. E o outro grupo gira em torno do próprio Governador e da Assembleia Legislativa. Hoje o nome que se fala mais é o do Paulo Dantas, mas não há nada fechado e é preciso também aguardar um pouco mais as avaliações feitas pelas pesquisas eleitorais, até porque isso também mexe com o futuro político dele [Paulo Dantas], já que caso assuma o Governo, só poderá concorrer à reeleição em 2022”, analisa.

Cotado na disputa, o prefeito de Maceió, JHC, disse na última semana de 2021, que as eleições estão muito distantes e que o nome de Rodrigo Cunha para o governo é excelente.

PESO DO LEGISLATIVO

Ainda nessa matemática eleitoral é preciso levar em conta o peso de Marcelo Victor (Solidariedade), presidente da Assembleia Legislativa Estadual, e de Arthur Lira (PP), presidente da Câmara dos Deputados.

“É preciso definir, claramente, quem seria esse nome [grupo Renan Filho/Assembleia] que, inclusive, passa também pela benção do Arthur Lira. Hoje esse cenário ainda é de um pouco incerteza porque depende de algumas decisões prévias para gente ter clareza melhor do cenário, e isso a gente só terá a partir do mês de meados de março”, completa Luciana Santana.

No início de novembro, Arthur Lira concedeu entrevista a uma rádio de Água Branca, no Sertão de Alagoas. Na ocasião, ele adiantou que participará da escolha do governador-tampão, o que será eleito de forma indireta pelos deputados estaduais.

“Meu compromisso, claro e público, com o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Victor é de que se o governador se afastar de seu mandato, eu acompanharei a escolha do nome da Assembleia Legislativa. Se o governador ficar no mandato, que eu aposto, a escolha [do candidato] será minha e o presidente da Assembleia Legislativa apoiará o nome que eu escolher”, disse Arthur Lira.

O presidente da Câmara dos Deputados também comentou sobre a possibilidade de o nome ser Paulo Dantas.

“Se o governador Renan Filho se afastar do cargo e a Assembleia escolher o tampão, o deputado Paulo Dantas tem nossa amizade, simpatia e carinho. É um deputado muito querido e só precisa ser mais conhecido no estado de Alagoas, mas quem o conhece sabe como ele atua. Ele deve e pode ser o nosso candidato”, falou Arthur Lira.

Outro parlamentar que já foi cotado numa disputa para o governo é o senador Fernando Collor (Pros), no entanto, ele já negou diversas vezes a intenção, mantendo assim a sua posição de disputar um terceiro mandato de senador. Na penúltima semana do ano, Collor disse que o cenário das eleições em Alagoas ainda é de indefinição.

Segundo o senador, o grupo político do governador Renan Filho não vem apresentando sinais de que deve se manter ou não no cargo. Enquanto o cenário é de indefinição, Collor tem percorrido os municípios alagoanos apresentando emendas viabilizadas junto ao governo federal.

Collor também conta com apoio do presidente da República, Jair Bolsonaro (PL). Durante as suas agendas, o senador destaca a parceria com Bolsonaro, mesmo com o presidente contando com uma alta rejeição, segundo as pesquisas divulgadas até o final do ano passado.

Fonte: Tribuna Independente
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