Advogada com camisa de Lula é agredida por policiais militares

 PT volta a cobrar segurança para eleitores do ex-presidente


Maria Valéria Silva (terceira da direita para esquerda) esteve na Secretaria de Estado da Mulher, que vai acompanhar a denúncia - Foto: Assessoria

Mais um caso envolvendo violência policial contra uma mulher que usava uma camisa do candidato à presidência da República pelo PT, Luiz Inácio Lula da Silva, acende o alerta para o que nos espera nas eleições de outubro. O presidente do partido em Alagoas, Ricardo Barbosa, reforça que eleitores contrários ao atual presidente, Jair Bolsonaro (PL), “poderão ser mortos por manifestar seu voto”.

“Enquanto a gente ficar levando essas denúncias apenas para as secretarias da Mulher e dos Direitos Humanos, e não se transformar em nada concreto, daqui a pouco o governador Paulo Dantas [MDB] será cobrado e responsabilizado, inclusive do ponto de vista legal, por coisas piores que podem vir a acontecer. Ou o governador toma as rédeas como comandante e chefe da Polícia Militar de Alagoas, ou nós vamos ter mortes nesse período eleitoral”, afirmou Ricardo Barbosa em entrevista à Tribuna.

O assunto voltou às manchetes depois que uma mulher registrou um boletim de ocorrência (B.O.) na tarde desse domingo (24), em Maceió. O jornal teve acesso ao documento onde a advogada Maria Valéria da Silva, de 40 anos, afirma que foi agredida fisicamente, verbalmente e ameaçada por policiais militares que atendiam uma ocorrência no Conjunto Cleto Marques Luz, parte alta da cidade.

De acordo com o relato da vítima, ela tentava resolver uma situação familiar quando a Polícia Militar foi acionada. A mulher usava uma camisa com a imagem de Lula e ao tentar conversar com os militares, teria sofrido violência física e verbal. Um trecho do boletim diz que a vítima se identificou como advogada, mas foi tratada com indiferença pelos policiais.

A advogada contou ainda que os militares afirmaram que iam conduzi-la com o aparelho celular para a Central de Flagrantes e que, segundo o documento, respondeu que iria já que não havia cometido nenhum crime. Ainda no boletim a vítima afirma que os policiais começaram a registrar por meio de foto as pessoas presentes, tirando fotos da casa do irmão da advogada, fotos do veículo e placa do carro dela e teriam dito que iriam resolver a situação “de outra forma”.

O boletim diz ainda que após 40 minutos do ocorrido, a mesma equipe da PM ficou parada na esquina da casa do irmão, onde as agressões teriam acontecido, como forma de amedrontar a mulher.

Uma publicação no Instagram do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos de Alagoas (CEDDH/AL) informou sobre uma reunião que aconteceu na sede do Conselho Estadual de Segurança Pública (CONSEG) na segunda-feira (25).

O texto afirma que o presidente do Conselho e promotor de justiça, Magno Alexandre Moura, seu reuniu com a advogada Maria Valéria da Silva, vítima de violação dos direitos humanos ainda no domingo (24).

“Segundo o boletim de ocorrência lavrado na Central de Flagrantes, Maria Valéria foi agredida, física e verbalmente, por membros da corporação da Polícia Militar de Alagoas, durante uma abordagem no bairro do Cleto. Em seu relato, ela conta que durante a agressão também foi hostilizada por motivos políticos, por, no momento estar utilizando uma camisa do Lula, pré-candidato à presidência”, diz a publicação.

Estiveram presentes a secretária de Estado da Mulher e Direitos Humanos de Alagoas, Maria Silva, o deputado federal Paulão (PT), e a ativista Élida Miranda.

O Conselho e a SEMUDH farão o acompanhamento da oitiva e do andamento do processo relacionado ao caso, garantindo a defesa da vítima e assegurando o devido processo legal.


Por: Thayanne Magalhães com Tribuna Independente

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