Assisti com indignação à fala do vereador Rubinho do Kênio durante a sessão ordinária da Câmara Municipal de Paulo Afonso, nesta segunda-feira (17). Na condição de jornalista, cidadão e de alguém que reconhece a importância da imprensa para a sociedade, não posso silenciar diante da forma pejorativa com que o parlamentar se referiu aos profissionais e aos veículos de comunicação da nossa cidade.
Prefiro acreditar que tenha sido um momento de desequilíbrio, de exaltação ou até mesmo de perda momentânea do discernimento. Não cabe a mim fazer qualquer diagnóstico sobre as condições pessoais do vereador. Mas, se suas palavras foram proferidas de maneira consciente, racional e deliberada, o episódio revela, no mínimo, um preocupante despreparo para o exercício da função pública e uma profunda dificuldade em compreender o papel institucional da imprensa.
O vereador precisa entender que o mandato eletivo não lhe confere salvo-conduto para atacar quem pensa diferente. A imprensa exerce uma função essencial na democracia, fiscalizando o poder, levando informação à população e dando publicidade aos fatos de interesse público. É o chamado quarto poder, cuja atuação deve ser respeitada mesmo quando suas críticas incomodam.
Crítica faz parte da vida pública. Quem escolhe ocupar um cargo eletivo precisa estar preparado para ser questionado, cobrado e, eventualmente, criticado. O que se espera de um parlamentar é maturidade para absorver essas manifestações de forma republicana, respondendo com argumentos, fatos e respeito, jamais com ataques ou adjetivações depreciativas.
A postura demonstrada pelo vereador deixa claro justamente o contrário: uma dificuldade em lidar com a crítica e em separar a divergência política ou pessoal do exercício legítimo da atividade jornalística. Não saber receber uma crítica é uma fragilidade; não saber respondê-la de maneira respeitosa é uma demonstração de falta de preparo para o debate público.
Não defendo que a imprensa esteja acima de críticas. Pelo contrário: jornalistas e veículos de comunicação também devem ser permanentemente cobrados por responsabilidade, ética e compromisso com a verdade. Mas críticas à imprensa devem ser feitas com argumentos e civilidade, jamais com ataques que busquem desqualificar toda uma categoria profissional.
A Câmara Municipal é uma instituição pública e o plenário é espaço de debate, fiscalização e representação popular. Por isso mesmo, exige de seus integrantes equilíbrio, responsabilidade e respeito às instituições democráticas.
É preciso compreender, de uma vez por todas, que quem ocupa um mandato público deve estar preparado não apenas para receber aplausos, mas também para enfrentar críticas. E, diante delas, a resposta de um homem público deve ser a serenidade, a argumentação e o respeito, nunca a agressividade ou a tentativa de desqualificar aqueles que exercem o legítimo direito de informar e opinar.

