Já passou da hora de o município de Paulo Afonso apresentar um plano emergencial para enfrentar o problema dos animais abandonados nas ruas. Na minha avaliação, não é mais possível tratar essa situação como algo secundário ou simplesmente transferir toda a responsabilidade para uma ONG.
Tenho percorrido a cidade e, em diferentes pontos, é possível observar uma grande quantidade de cães abandonados, muitos deles em situação de vulnerabilidade, feridos ou vítimas de maus-tratos. O problema também passou a envolver a segurança da própria população, já que há locais onde animais circulam em grupos e acabam atacando pessoas.
Defendo que o município assuma efetivamente sua responsabilidade e implante, ainda que de forma provisória e emergencial, um serviço público de recolhimento, acolhimento e atendimento veterinário para animais abandonados, feridos ou vítimas de maus-tratos. Não se trata apenas de uma questão de proteção animal, mas também de saúde pública, segurança e respeito à vida.
Também considero fundamental que o Ministério Público avalie a adoção das medidas cabíveis para cobrar do município uma solução concreta. Entre essas medidas, está a possibilidade de buscar junto à Justiça a formalização de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), estabelecendo obrigações, prazos e ações que garantam atendimento adequado à população animal.
Não podemos continuar assistindo ao crescimento desse problema enquanto a responsabilidade é empurrada de um lado para o outro. Uma ONG pode e deve ser parceira, mas não pode carregar sozinha uma obrigação que também envolve o poder público.
Paulo Afonso precisa de planejamento, responsabilidade e uma política pública permanente para a causa animal. E, diante da situação que estamos vendo nas ruas, acredito que não há mais espaço para esperar: é preciso agir agora.

