Quem esteve nas ruas de Paulo Afonso na noite desta quarta-feira (2) certamente percebeu que não se tratava de mais uma caminhada de campanha. O que tomou conta da cidade foi uma demonstração de força política; e, para alguns adversários, talvez tenha sido também um daqueles eventos que tiram o sono.
A Praça do Coreto virou ponto de concentração de uma verdadeira onda azul. De lá, lideranças e apoiadores de Neto Coelho seguiram em direção ao comitê do candidato, ocupando as ruas com motos, carros, bandeiras, camisetas e uma multidão que chamou atenção por onde passou. O espetáculo ganhou direito até a show pirotécnico.
Mas, em política, fotografia também fala. E a fotografia produzida em Paulo Afonso foi bastante eloquente. À frente do cortejo estavam alguns dos principais nomes da oposição na Bahia: ACM Neto, candidato ao Governo do Estado; Zé Cocá, candidato a vice; os candidatos ao Senado Ângelo Coronel e João Roma; o presidente da Câmara Municipal de Salvador, Carlos Muniz; o candidato a deputado federal Carlos Muniz Filho; e, naturalmente, Neto Coelho, anfitrião da noite.
A presença da chapa majoritária ao lado do candidato a deputado estadual não foi mero detalhe de agenda. Foi recado político. E recado, quando dado em praça pública e diante de uma multidão, costuma chegar muito rápido aos ouvidos de quem precisa ouvir.
ACM Neto subiu ao palanque e não economizou munição. Mirou diretamente no governador Jerônimo Rodrigues e afirmou que o adversário não teria outro discurso além da “mentira”, além de cobrar o cumprimento das promessas feitas durante a campanha passada.
Mas a frase que certamente produziu mais barulho nos bastidores veio depois: ACM Neto declarou que o ciclo de Jerônimo Rodrigues está chegando ao fim e que, a partir de 1º de janeiro, a Bahia terá um novo governador.
Para quem acompanha a política baiana, não foi apenas discurso de palanque. Foi uma espécie de declaração de guerra eleitoral.
E se ACM Neto fez questão de prestigiar Neto Coelho em Paulo Afonso, também deixou outro recado. O ex-prefeito de Salvador afirmou não ter dúvidas sobre a eleição do jovem empresário para a Assembleia Legislativa da Bahia.
A declaração tem peso. Afinal, uma candidatura que consegue colocar a principal liderança da oposição estadual no centro de sua mobilização local demonstra que já deixou de ser apenas um projeto pessoal. Passa a integrar uma engrenagem política maior.
Neto Coelho, por sua vez, aproveitou o palanque para reforçar a imagem de independência que pretende imprimir à sua candidatura. Chamou ACM Neto de “próximo governador da Bahia” e avisou que, caso eleito, não será parlamentar de gabinete fechado. Prometeu cobrar. E cobrar muito. Disse que não medirá esforços para fiscalizar e exigir respostas porque seu compromisso, segundo ele, é com o povo.
Neto Coelho quis mostrar que não está entrando na disputa para fazer figuração. E, pelo tamanho da mobilização, parece ter conseguido chamar a atenção.
A noite de quarta-feira produziu uma imagem que dificilmente será ignorada pelos grupos que disputam espaço político em Paulo Afonso. Uma multidão de azul pelas ruas, a chapa majoritária reunida, lideranças regionais mobilizadas e ACM Neto fazendo questão de apostar publicamente na eleição de Neto Coelho.

