A sessão da Câmara Municipal desta segunda-feira (31) deixou de ser apenas mais uma sessão ordinária. O discurso do vereador Jean Roubert colocou fogo no debate político de Paulo Afonso e jogou luz sobre uma questão que promete render muito mais do que discursos: a aplicação de milhões de reais em contratos da Prefeitura, especialmente na área da saúde.
Da tribuna, Jean Roubert não economizou nas palavras. Segundo o parlamentar, os procedimentos de licitação realizados pela administração municipal, sobretudo aqueles que envolvem valores mais elevados, carregariam sérios indícios de irregularidades que, em sua avaliação, podem configurar crime. E o vereador foi além.
Munido de documentos e imagens, apresentou um cronograma de desembolso referente ao projeto “Mais Saúde, Menos Fila”, do Instituto SETES, destinado a serviços de média e alta complexidade. A cifra apresentada impressiona: mais de R$ 15 milhões teriam sido desembolsados em apenas sete meses.
Uma pergunta é inevitável: se tanto dinheiro foi gasto, por que a população não percebe uma melhora compatível na saúde do município?
Foi justamente nesse ponto que o vereador apertou o cerco. O parlamentar classificou o processo como “fraude” e questionou a efetividade dos serviços contratados, insinuando que a conta apresentada pela administração não estaria fechando quando confrontada com a realidade enfrentada diariamente pelos usuários da rede pública.
Mas o episódio ganhou contornos ainda mais delicados quando o vereador exibiu um documento que afirmou ser do Ministério Público Federal. O material, segundo ele, seria mais uma peça de um cenário que pode colocar contratos e procedimentos administrativos sob o olhar dos órgãos de fiscalização.
E então veio a frase que deve virar manchete e circular nos bastidores da política pauloafonsina: “Os ventos da fiscalização vão chegar em Paulo Afonso.” Não parece ter sido apenas uma frase de efeito.
Para quem acompanha a política pauloafonsina, o recado foi direto. O parlamentar sinaliza que pretende transformar a fiscalização dos gastos públicos em uma das principais trincheiras de sua atuação parlamentar, e que contratos milionários podem se tornar alvo de uma lupa cada vez mais poderosa.
O problema, para quem está do outro lado do balcão, é que números não costumam fazer política: eles deixam rastros. E quanto maior o volume de recursos movimentados, maior também é a responsabilidade de explicar onde, como e por que cada real foi gasto.
Agora, a bola está no campo da Prefeitura e dos órgãos de controle. As acusações feitas pelo vereador são graves e precisam ser devidamente apuradas, com direito ao contraditório e à manifestação dos responsáveis pelos contratos e serviços questionados.
E se os ventos anunciados pelo vereador realmente começarem a soprar, muita gente que hoje prefere observar a política de Paulo Afonso pelas frestas pode ser obrigada a abrir as portas, e apresentar as contas.

