Há prefeitos que governam. Há prefeitos que mandam. E há aqueles que parecem acreditar que governar é mandar nos outros. O episódio envolvendo Adriano Antunes da Silva e Alexsandro da Silva Barros coloca Mário Galinho diante de uma pergunta crucial: servidor público pode escolher seu candidato? Ou precisa pedir autorização ao prefeito?
Os dois servidores foram exonerados depois de participarem de um evento político de candidatos adversários dos aliados do prefeito.
Com a exoneração desses dois servidores, Paulo Afonso está diante de algo muito maior que duas demissões. Está diante de um modelo de poder. O modelo do medo. O modelo da intimidação. O modelo do “ou está comigo ou está contra mim”.
E esse talvez seja o traço mais preocupante de uma administração pública: quando o prefeito deixa de enxergar o servidor como cidadão e começa a enxergá-lo como soldado político. A Prefeitura não é quartel e servidor não é cabo eleitoral.
Cargo público não é prêmio por fidelidade. E exoneração não pode ser castigo por liberdade política. Quem governa uma cidade governa inclusive quem não vota nele. Essa parece ser uma lição elementar, mas talvez seja justamente aí que esteja o problema.
Quando o poder sobe à cabeça, o prefeito começa a acreditar que a cidade é extensão do seu gabinete. Que a máquina pública tem dono e que o servidor precisa demonstrar lealdade política. Que adversário é inimigo, e que discordância merece punição.
É assim que nasce o autoritarismo. Chega através de uma exoneração, de um telefonema, de uma ameaça velada. De um “é melhor você não aparecer naquele evento”. De um recado que ninguém assina, mas todo mundo entende.
O medo também administra, e administra muito mal. A política de Paulo Afonso está assistindo ao nascimento de uma nova regra: liberdade para votar, desde que seja no candidato certo. É uma espécie de democracia com asterisco.
Pode escolher, mas escolha direito. Pode discordar, mas não exagere. Pode ser livre, desde que não contrarie o chefe. Isso não é liderança, é personalismo. Não é autoridade, é autoritarismo. E não é força política, é medo de perder o controle.
Quando a Prefeitura começa a ser percebida como lugar onde a fidelidade política pode valer mais do que a liberdade individual, o problema deixa de ser de Adriano e Alexsandro e passa a ser de todos. Afinal, prefeito não recebe mandato para ser dono da cidade, recebe mandato para administrá-la. Inclusive para quem ousa não bater continência.

