Não se vive sem cultura



Desde meados da década de 90, quando findou o pró-ativo movimento cultural denominado Modernismo, a letargia cultural tem reinado em Paulo Afonso. O município não tem sequer uma secretaria de cultura que seja única, desvinculada de outras pastas para que possa desenvolver ações específicas da área. O Centro de Cultura da cidade não apresenta o mínimo de infra-estrutura adequada às apresentações cênicas ou musicais tamanha é a deficiência acústica do espaço, além de que não existe ar refrigerado, haja vista que o ambiente é amparado por um antiquado sistema de ventilação.

Uma cidade sem cultura, é uma cidade sem história e certamente Paulo Afonso não se enquadra nesse conceito. O último mês de julho foi especialmente rico para Paulo Afonso, culturalmente falando. Expoentes da música nacional como A Cor do Som, 14 Bis e Clã Brasil marcaram a cena musical. Exposições, pinturas, xilogravuras e literatura entre outras artes puderam ser apreciadas e o que é melhor: gratuitamente.

Na segunda quinzena de agosto, a cultura se apresenta para os pauloafonsinos ainda mais efervescente. O Serviço Social do Comércio (SESC) a partir do dia 20 apresentará, no auditório do Memorial da CHESF, a Mostra 1959, O Ano Mágico do Cinema Francês. A abertura do evento será feita pela professora-mestra Alessandra Gomes, da Universidade Federal do Recôncavo Baiano que irá proferir a palestra O Político e o Pedagógico na Nouvelle Vague Francesa. Em seguida será exibido o filme Os Incompreendidos do genial François Truffaut.

Fotografado em preto-e-branco, Os Incompreendidos acompanha o percurso de um garoto de 12 ou 13 anos pela Paris do final dos anos 50. A criança está sempre se metendo em encrencas, e vem daí o título original, Les 400 Coups – uma expressão idiomática francesa que pode ser traduzida por “pintar o sete”. Imperdível.

No dia 21 às 15h será a vez de “Hiroshima meu Amor” (Alain Renais) e às 18h “Pickpocket” (Robert Bresson). No dia 22 às 15h o público assistirá ao filme “Quem matou Leda?” (Claude Chabrol) e ainda no mesmo dia às 18h “Acossado” (Jean-Luc Godard). A mostra tem classificação de 16 anos e terá entrada franca.

O Projeto Sonora Brasil do SESC, cujo objetivo é formar ouvintes musicais, é outra bela opção cultural e que apresentará em Paulo Afonso, também no Memorial da CHESF, o Conjunto Gyn Câmera (GO) com o concerto “Música Brasileira do Século XX – A Obra de Cláudio Santoro e Guerra Peixe” no dia 27 com entrada franca.
O cinema e a música, que sempre caminharam juntos formando um par perfeito entretendo e emocionando corações das mais diversas gerações, estarão a partir do próximo final de semana no menu de atividades da cidade que, aos poucos, desperta dessa quase perene apatia cultural.
Não se vive sem cultura Não se vive sem cultura Reviewed by Ednaldo Júnior on 21:36 Rating: 5

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