'Não adianta ampliar leitos se a população não tiver consciência de seu papel', alerta secretário

Mesmo longe de alcançar o pico da pandemia do novo coronavírus, a ocupação de leitos por pacientes da Covid-19 em Alagoas tem crescido de forma preocupante para médicos e autoridades de Saúde do Estado. O cenário hoje é de quase um terço de leitos da rede pública ocupados, com 30% das acomodações hospitalares destinadas ao tratamento do coronavírus preenchidas em Alagoas. Nas UTIs, a ocupação já alcançava os 35% - mais de um terço das vagas - até a tarde da segunda-feira (27).

Essa crescente tão rápida no número de internações preocupa porque cada leito para tratamento do coronavírus demora, em média, até 20 dias para ser desocupado por um paciente devido à gravidade da doença. Um caso clássico de pneumonia, por exemplo, exige internação por até sete dias.

No atual ritmo de infectados, é cada vez maior a possibilidade de não ter vagas suficientes para assistir todos os pacientes que busquem atendimento. Nasce dessa premissa a importância de a população buscar e intensificar o isolamento social. É esse o alerta e apelo do secretário de Estado da Saúde, Alexandre Ayres.

“Esse isolamento vai terminar somente quando a população colaborar e compreender que é a parte principal desse desafio. Não adianta a gente ampliar os leitos de UTI aqui em Alagoas, como a gente já tem ampliado, se a população não tiver a consciência de que ela é a protagonista desse desafio. A gente precisa que as pessoas fiquem em suas residências”, afirma.

A Secretaria Estadual de Saúde (Sesau) confirma para o próximo dia 15 de maio a inauguração antecipada do novo Hospital Metropolitano, no Tabuleiro do Martins, que vai disponibilizar um total de 30 leitos de UTI e 130 leitos clínicos. Nos próximos dias também terá início a montagem do hospital de campanha que vai funcionar no Centro de Convenções Ruth Cardoso, em Jaraguá.

Porém, ressalta o secretário, não haverá leitos suficientes em nenhum Estado
do país, não apenas em Alagoas, se todo mundo adoecer ao mesmo tempo. Por isso, só deve ir às ruas quem precisa, de fato.

A infectologista do Hospital Hélvio Auto, Marília Magalhães, faz o mesmo alerta. “O isolamento serve como meio de diminuir a propagação do coronavírus, além de promover tempo aos serviços de saúde para que eles se organizem e se adequem para lidar com a situação”, destaca.

A médica ressalta que a diminuição da velocidade do contágio é imprescindível para que o sistema de saúde, público e privado, se prepare para atender tantos casos. “Assim a gente consegue diminuir a pressão sobre o sistema de saúde. Se todos adoecerem ao mesmo tempo, não haverá espaço físico, material e pessoas para garantir atendimento eficaz e de qualidade, seja o serviço público ou privado, aqui no Brasil ou lá fora”, completa.

*Com informações da assessoria 
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