Crivella era chamado de “Zero Um” na organização criminosa que montou esquema de corrupção na Prefeitura do Rio


A denúncia apresentada pelo MP-RJ diz que "o vértice da organização criminosa é ocupado por Marcelo Crivella, que na qualidade de Prefeito do Rio de Janeiro, concentra em suas mãos as atribuições legais indispensáveis para a consecução do plano criminoso, meticulosamente elaborado pela organização criminosa"



Vértice da organização criminosa que instaurou o QG da Propina na Prefeitura do Rio a fim de “aliciar empresários para participação nos mais variados esquemas de corrupção”, o bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), Marcelo Crivella (Republicanos) era chamado de “Zero Um” em mensagens trocadas no Whatsapp.

Segundo a desembargadora Rosa Helena Penna Macedo Guita, que determinou as prisões nesta sexta-feira (22), o doleiro Sérgio Mizrahy, em sua delação, apresentou cópias das trocas de mensagens entre membros da organização que “cobravam o recebimento de determinada quantia em espécie a pedido do ‘Zero Um’, codinome atribuído ao prefeito”.

A denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro diz que “o vértice da organização criminosa é ocupado por Marcelo Crivella, que na qualidade de Prefeito do Rio de Janeiro, concentra em suas mãos as atribuições legais indispensáveis para a consecução do plano criminoso, meticulosamente elaborado pela organização criminosa. Em outras palavras, seu status funcional de alcaide lhe confere, e a mais ninguém, a capacidade de executar e determinar a execução dos atos de ofício necessários à materialização das escusas negociatas”.

Na sua decisão, a desembargadora fala da proximidade do fim do mandato de Crivella e ressalta que as “tratativas espúrias” começaram ainda durante as eleições de 2016 e se estenderam durante os quatro anos em que o bispo licenciado ocupou a prefeitura carioca.

“É verdade que o prefeito está prestes a encerrar o seu mandato, faltando poucos dias para tanto. Poder-se-ia então argumentar que, uma vez praticamente encerrada a sua gestão, não mais haveria que se falar em risco à ordem pública. Tal assertiva poderia até ser verdadeira, caso os ilícitos cometidos tivessem sido esporádicos. Todavia, consoante as investigações revelaram, os crimes foram cometidos de modo permanente ao longo dos 04 anos de mandato, verificando-se contratações fraudulentas e recebimento de propinas nos mais variados setores da Administração. As tratativas espúrias, na verdade, tiveram início ainda durante a campanha eleitoral e miravam as futuras contratações do governo”.

Responsável pela lavagem do dinheiro, Sérgio Mizrahy teria revelado em delação, apresentando diversas provas ao MP-RJ, um “intricado esquema criminoso envolvendo membros da Administração Municipal, empresários, pessoas físicas e jurídicas que funcionavam como ‘laranjas’, além de operadores do esquema”.

Segundo ele, os integrantes da organização “interferiam nas tomadas de decisão, agilizando os pagamentos a empresas especídicas e interferindo nos processos de licitação, de forma a beneficiar aqueles empresários que assentiam em pagar propina ao grupo criminoso aparentemente gerenciado pelo homem de confiança do prefeito Marcello Crivella, Rafael Pereira Alves”.

Rafael Alves
Com relações íntimas com Crivella, Rafael Alves é apontado como chefe do esquema de lavagem de dinheiro. Foi o responsável pela arrecadação de recursos desde a campanha de 2016 e seria o principal elo entre os empresários e a administração Crivella.

Sem cargo na prefeitura, ele atuava no QG da Propina montado na Riotur, órgão do município que era presidido pelo irmão, Marcelo Alves.

Gestor de negócios de empresas ligadas à Igreja Universal, Mauro Macedo, outro integrante da organização criminosa, ganhou o apelido de “Mestre dos Magos” nas eleições de 2016 e teve passagem por diversos órgãos da prefeitura carioca após assessorar Crivella por anos em Brasília.

Foragido da Justiça, o ex-senador Eduardo Lopes, que também é filiado ao Republicanos, foi caçado em sua casa no Rio, mas a polícia recebeu informações de que ele estaria morando em Belém, no Pará. Na tentativa de reeleição em 2018, Lopes chegou a ser notificado por possível prática de propaganda irregular com abuso de poder religioso.

Outro integrante do grupo é o delegado aposentado José Fernando Moraes Alves, conhecido como Fernando Moraes, que foi titular da Delegacia Anti-Sequestro e vereador pelo MDB.

Em 2019, ocupou o cargo de conselheiro da Agetransp, nomeado pelo ex-governador Luiz Fernando Pezão.

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