Christian Dunker: “Bolsonaro não é psicopata, é canalha”

 

O psicanalista afirmou que um segundo mandato de Bolsonaro “será desastroso e perigoso. Por isso, temos uma batalha decisiva pela frente”

Dunker está lançando novo livro.Créditos: Divulgação


Em entrevista ao Fórum Onze e Meia, nesta sexta-feira (15), o psicanalista Christian Dunker abordou, entre vários temas, o perfil psicológico de Jair Bolsonaro (PL) e alertou para o perigo de um segundo mandato do atual presidente.

Bolsonaro não é psicopata, é canalha”, resumiu Dunker. “É possível encontrar uma hipótese diagnóstica pelo discurso dele. É menos de perversão, que é mais habilitado para o cinismo. O Bolsonaro está mais para uma limitaçãouma pobreza de funcionamento psíquico”, destacou.

O psicanalista desmentiu a tese de que Bolsonaro é uma pessoa sem empatia. “Ele tem empatia, mas só com os seus. É o que se chama de redução do tamanho do mundo. O perfil dele é do típico valentão da escola, que junta uma tropa para bater nos outros, para conseguir se justificar. Não há uma psicopatologia. Está mais para um tolo, sem qualidades”.

Questionado se acredita na reeleição de Bolsonaro, Dunker alertou “Um segundo mandato será desastroso e perigoso. Por isso, temos uma batalha decisiva pela frente”, ressaltou.

O psicanalista também revelou que anteriormente estava mais otimista em relação à eleição do ex-presidente Lula (PT), conforme os resultados das pesquisas. “Mas recentemente comecei a ficar preocupado, principalmente pelo desengajamento dos jovens no processo eleitoral”.

Campo progressista deve apostar em uma “renovação discursiva”

Dunker também apontou para a necessidade de o campo progressista adotar uma “renovação discursiva”, principalmente no combate à disseminação do ódio e da violência.

Ele citou um exemplo: “Na eleição passada, a esquerda não conseguiu produzir uma resistência crítica usando o humor, que é fundamental, como fazia o Pasquim. Quando não se tem argumento, quem perde é o lado de cá”, definiu.

Novo livro aborda processo democrático, que dá voz e inclui sujeitos historicamente excluídos

Dunker aproveitou para falar sobre seu novo livro, “Lacan e a democracia”. Trata do processo democrático, que, segundo ele, dá voz e inclui sujeitos que estavam historicamente excluídos.

“O livro aborda temas como o papel das identidades, a formação de uma nova religiosidade, o processo neoliberal que ofende as democracias, o lugar da psicanálise em questões como feminismo, racismo, marxismo e pós-marxismo”, afirmou.

Por revistaforum.com.br

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