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    POLÍTICA

    Pesquisa Atlas mostra Lula ampliando vantagem após crise de Flávio com Vorcaro

    Ednaldo JúniorPor Ednaldo Júnior19 de maio de 2026Nenhum comentário
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    Governo cresce enquanto Flávio e Michelle Bolsonaro recuam nos cenários eleitorais

    Por Cleber Lourenço do ICL Notícias

    Mesmo com desaprovação maior que aprovação, o presidente Lula segue liderando os principais cenários da disputa presidencial de 2026, segundo a nova pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta terça-feira (19). O levantamento mostra um governo desgastado, mas também revela que a direita ainda não conseguiu construir um nome alternativo suficientemente competitivo fora da família Bolsonaro.

    A pesquisa mostra que:

    51,3% desaprovam o desempenho do presidente Lula (-1,1)
    47,4% aprovam a atuação do presidente (+1,2)
    48,4% avaliam o governo como ruim ou péssimo (-0,8)
    42,9% classificam o governo como ótimo ou bom (+1)
    8,7% avaliam a gestão como regular
    Mesmo diante desse desgaste, Lula continua liderando os cenários eleitorais apresentados pela Atlas.

    No principal cenário de primeiro turno testado pela pesquisa:

    Lula: 47% (+1,5)
    Flávio Bolsonaro: 34,3% (-1,8)
    Renan Santos: 6,9% (+0,4)
    Romeu Zema: 5,2% (-0,3)
    Ronaldo Caiado: 2,7% (-0,2)
    Augusto Cury: 0,4% (estável)
    Aldo Rebelo: 0,2% (estável)
    Branco/nulo: 1,4% (-0,1)
    Não sabem: 1,9% (+0,2)

    O dado mais relevante desse cenário é a consolidação de Flávio Bolsonaro como único nome efetivamente competitivo do bolsonarismo. O senador aparece muito à frente de Zema e Caiado, reforçando a dependência da direita em relação à família Bolsonaro.

    Ao mesmo tempo, a pesquisa indica que o desgaste provocado pelo caso Daniel Vorcaro não ficou restrito ao noticiário político e já apresenta reflexos eleitorais. Enquanto Lula avançou no levantamento, Flávio Bolsonaro registrou queda.

    A pesquisa também testou um cenário sem Flávio Bolsonaro e com Michelle Bolsonaro representando o campo bolsonarista.

    Nesse quadro:

    Lula: 47,8% (+1,3)
    Michelle Bolsonaro: 30,4% (-2,4)
    Renan Santos: 7,5% (+0,6)
    Romeu Zema: 5,9% (-0,1)
    Ronaldo Caiado: 3,1% (+0,2)
    Branco/nulo: 2,4% (+0,1)
    Não sabem: 2,9% (+0,3)

    O levantamento sugere que, apesar da força da marca Bolsonaro, a transferência de capital político dentro da própria família encontra limites.

    O cenário reforça uma preocupação crescente dentro da direita: trocar Flávio por Michelle ou outro nome pode significar risco real de perder competitividade e até de ficar fora do segundo turno.

    Segundo turno

    No segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, o presidente também aparece na frente.

    O cenário mostra:

    Lula: 50,6% (+1,7)
    Flávio Bolsonaro: 45,1% (-1,5)
    Branco/nulo: 2,2% (-0,1)
    Não sabem: 2,1% (-0,2)

    Os números indicam que Lula preserva uma frente eleitoral mais ampla fora do núcleo petista, enquanto Flávio ainda encontra dificuldades para ultrapassar o teto do eleitorado bolsonarista mais fiel.

    Os cruzamentos demográficos da pesquisa mostram que Lula segue especialmente forte entre os mais pobres, no Nordeste e entre eleitores que votaram nele em 2022. Já a direita continua mais forte entre evangélicos, eleitores de renda mais alta e nas regiões Sul e Centro-Oeste.

    A fotografia eleitoral apresentada pela Atlas mostra um país ainda profundamente polarizado, mas relativamente estável em seus blocos políticos. O governo Lula apresenta desgaste relevante após mais de três anos de mandato, porém a oposição ainda não conseguiu converter esse desgaste em maioria eleitoral.

    Outro dado importante é o enfraquecimento dos nomes alternativos da direita. Romeu Zema e Ronaldo Caiado aparecem fragmentando o eleitorado conservador, mas sem demonstrar capacidade real de liderar o campo oposicionista.

    Na prática, a pesquisa sugere que o bolsonarismo entrou em um ponto de dependência da própria família Bolsonaro. Sem Jair Bolsonaro elegível, Flávio aparece como herdeiro natural do espólio político do ex-presidente, enquanto outros nomes seguem incapazes de ocupar plenamente esse espaço.

    O levantamento ouviu 5.032 pessoas entre os dias 13 e 18 de maio, com margem de erro de um ponto percentual e nível de confiança de 95%.

    destaque
    Ednaldo Júnior

    Ednaldo Francisco da Silva Júnior, jornalista, professor e escritor. Entusiasta de literatura, cinema, artes e filosofia.

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