Os números das contas públicas de Paulo Afonso acendem um importante sinal de alerta para a população. Levantamento realizado a partir de contratos firmados pela atual gestão municipal aponta que aproximadamente R$ 4.812.596,00 já foram destinados para consultorias, assessorias, escritórios de advocacia, serviços contábeis e técnicos especializados.
O valor, que se aproxima de cinco milhões de reais, está distribuído entre diversas empresas e escritórios contratados pelo município, incluindo consultorias tributárias, assessorias jurídicas, planejamento municipal, tecnologia de dados e contabilidade pública.
Entre as contratações de maior valor estão a ECONTAP Empresa de Contabilidade Pública, com mais de R$ 1 milhão, a GFI Consultoria Especializada, com R$ 504 mil, o escritório Lobo & Ferraz Advogados Associados, com R$ 480 mil, além da DATATAX Consultoria, contratada por R$ 450 mil.
A situação chama ainda mais atenção porque esses gastos ocorrem em um momento em que o próprio município informou um déficit superior a R$ 10 milhões no primeiro quadrimestre do ano. Em outras palavras, enquanto a administração municipal alega dificuldades financeiras, a cidade continua acumulando despesas milionárias com serviços de consultoria e assessoramento.
O cenário se torna ainda mais preocupante quando se soma a essas contratações a recente contratação, por inexigibilidade, para a construção da Estátua de São Francisco, no valor de R$ 5.090.000,00.
Somados, os gastos com consultorias e a obra alcançam R$ 9.902.596,00, valor que praticamente equivale ao déficit apresentado pelo município no mesmo período.
A questão que surge é inevitável: diante das dificuldades financeiras enfrentadas pela administração, essas despesas representam as prioridades mais adequadas para a cidade? Enquanto milhões são destinados a consultorias e projetos específicos, a população continua cobrando investimentos em áreas essenciais, como saúde, infraestrutura, geração de emprego, limpeza urbana, mobilidade e manutenção dos serviços públicos.
Mais do que um debate político, o tema exige transparência, fiscalização e acompanhamento por parte da sociedade. O cidadão tem o direito de saber como os recursos públicos estão sendo utilizados e quais resultados concretos essas contratações estão gerando para o município.
A boa gestão pública exige planejamento, responsabilidade fiscal e definição clara de prioridades. Quando despesas milionárias coexistem com déficits expressivos e demandas básicas não atendidas, cresce a preocupação com possíveis sinais de ingerência administrativa e com a eficiência da aplicação do dinheiro público.
Diante desses números, cabe aos órgãos de controle, ao Poder Legislativo e, principalmente, à população de Paulo Afonso acompanhar atentamente a execução desses contratos, exigir prestação de contas e cobrar que cada real arrecadado seja revertido em benefícios efetivos para a coletividade.

